segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

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Há dias em que as palavras me parecem vazias. Sem significado. Os minutos passam aqui sentada nesta cadeira, com o peito pesado nem sei porquê, onde eccho o meu pequeno caderno de apontamentos que serve de rascunho do que te escrevo. Já bebi 3 cafés e não me apetece comer nada. Hoje tenho a aparência dos que relamente me julgam triste. Da caneta não me sai nada que se possa ler nem sentir. É uma cópia de mim que aqui está, um reflexo, uma sombra.

As pessoas passam com os seus problemas e inquietações e eu não quero saber delas. Não tenho tempo nem mãos suficientes para dar. Para ti, para as miúdas, e para que me quer bem. Sinto-me cansada, quero parar um pouco e descansar. Sair com alguém, ir ao cinema, ou comer um gelado, coisas que não faço pelo menos há 2 meses. Preciso de tempo fora da minha concha, deixar entrar alguém. Em vez de ser a salvadora, ter alguém que me salve.

Continuo com tal peso no peito. Uma sensação de tristeza acumulada. É tua? Minha não é que a conheço bem, e ultimamente ninguém tem a capacidade de me magoar. As pessoas entram e saiem, raramente permanecem porque eu não quero, nem deixo. Apenas conservo as que realmente me importam, e acredita que são muito poucas. Previno-me de decepções que sei serem inevitáveis, coisas que tenho a certeza que irão aconteer porque já as vi, e eu não aprecio filmes repetidos. Vantagem ou desvantagem? Vantagem, acho. Poupa-se tempo com coisas ou pessoas inúteis.

Tu nunca serás um decepção porque sei exactamente com o que conto, especificaste muito bem as coisas desde o primeiro dia, mas não precisavas fazê-lo porque eu já as sabia de cor. Eu não sou só aquilo que tu vês. E tu também não és só aquilo que eu vejo. Tens muros altos que te rodeiam quase impossíveis de escalar, mas eu ando a aprender a deixar de ter medo das alturas. Já subo escadas e consigo permanecer numa varanda alta, coisas que dantes me eram impossíveis de fazer. Como vês ensinas-me alguma coisa. A não ter medo.

Quando conseguir subir os muros, sei que ainda tenho pela frente um portão fechado a cadeado, e códigos por decifrar sob perigo de explosão. Mas isso é outra história, e a minha hora de almoço já acabou.


Omeu beijo parati, Azul

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1 comentário:

Anónimo disse...

Voa... voa enquanto podes! ;))


Um beijo.