Podia ter começado este blog contando a história dos meus 28 anos de vida, até chegar a ti. Teria muito que contar, e o tempo não me chega. Para o que te quero dizer hoje, basta-me destacar dois acontecimentos que me marcaram, um deles já to contei, o outro serás a primeira pessoa a saber.
Lembro-me das conversas que tinha com uma tia da minha mãe, que era, e é ainda hoje, a minha tia favorita. Conversávamos normalmente junto ao lava-loiça, e eu "ajudava-a". Note-se que eu tinha três anos. Recordo-me de a ver demasiado alta, com um sorriso que iluminava a cozinha inteira. Perguntas-me como me lembro disso, se era tão pequenina. Há um motivo: Essa minha tia suicidou-se a 9 dias do meu quarto aniversário. Tenho guardado na memória tudo o que aconteceu nesse dia, e para quem não acreditava, passou a fazê-lo quando fui capaz de descrever na perfeição o sequência de acontecimentos até a polícia chegar e o que toda a gente tinha vestido nesse dia. Tentaram esconder-me o que se passava, não me deixaram entrar lá em casa, mas eu sabia. Essa minha tinha tia suicidou-se por desgosto. Isto para te dizer que na minha família, as mulheres morrem literalmente de amor.
Nunca fui muito de namorar. Primeiro porque os rapazes não me interessavam, e depois porque queria era viver sem estar presa a ninguém. Tu entraste e saíste da minha vida como uma corrente de ar, e perdi-te o rasto. Pensei em ti durante muito tempo, até que as saudades adormecessem, e eu conseguisse ultrapassar a tua ausência. Aos dezanove anos descobri que um amigo de infância morria de amores por mim, mas nunca suspeitei de nada, até que ele me contou. Recebi cartas, bilhetes, presentes, saíamos juntos. Nunca senti nada mais do que amizade. Enternecia-me ver a devoção que me tinha, e julguei que mais ninguém me iria amar assim. Foi durante muito tempo o meu melhor amigo. Depois começei a namorar com outra pessoa, e talvez pela mágoa, decidiu afastar-se. Enviou-me um bilhete, numa carta fechada, com este texto:
"És tudo para mim. Mas não posso continuar assim."
Respondi-lhe também com duas frases.
"Não te posso premiar o amor que sentes por mim. Não posso ser aquilo que tu querias que eu fosse."
Oito anos depois, enviei-lhe uma mensagem a perguntar se queria sair comigo. Ele disse que sim. Estivemos horas à conversa num centro comercial. Nessa altura contou-me a história dos últimos oito anos da vida dele. Entre outras coisas, perguntei-lhe quando é que finalmente me conseguiu esquecer. Respondeu que para isso, teve de esperar três anos.
Agora vejo-me na mesma situação que ele. Sinto-me uma Meredith sofrida a dizer
.Pick Me
Choose Me
Love Me
.
Seria o mesmo que pedir-te o mundo. E tu irias responder
.
Não se pode dar aquilo que não se tem.
.
1 comentário:
Bonita carta. Escreves com simplicidade mas deixas a tua marca no coração de quem te lê.
Beijinhos
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